Teologia da Salvação: A Prática do Apelo Evangelístico como Ritual nas Igrejas Evangélicas.

Um dos eventos Bíblicos estudado pela Teologia Sistemática é a soteriologia (doutrina da salvação).  No início do séc. XVII entra em cena a  controvérsia quinquarticular (termo usado para se referir aos confrontos puramente teológicos calvinistas-arminianos do período de 1609 a 1618). Nessa época, os debates tiveram sérias implicações políticas na Holanda. As controvérsias de pensamento teológico eram recorrentes e, levados à exaustão em concílios. Nos dias atuais, se fazem congressos, encontros teológicos e, nesse sentido uma prática muito comum, não em todas, mas, em grande parte das igrejas, nos traz a reflexão (apesar de não ser tão debatido),para um olhar no mínimo curioso – a prática do apelo nas igrejas evangélicas. Atualmente,  após a exposição da Bíblia Sagrada nos púlpitos, principalmente no segmento protestante, a pregação, só parece de fato ser ratificada se o pregador chamar às pessoas à frente. O ápice que coroa e consolida a eficiência da mensagem explanada, em muitos casos, exige, praticamente que após o convite para aceitar Jesus, uma ou mais pessoas precisam levantar as mãos como sinal de , “sim eu aceito; sim eu me rendo!” Este convite passou a ser recorrente e denominado como “O apelo”. 

Certamente a maioria dos cristãos protestantes confessam terem se convertido por meio desse método. Pensando na origem dessa prática, evidências fortalecem a ideia de que a prática do apelo, como é atualmente, nasce de várias práticas ritualísticas e vários nomes no meio dos cultos evangélicos. Uma delas observada, é o denominado “banco dos Ansiosos” ou banco dos contristados. Ainda o apelo foi chamado de “a chamada para a decisão/reconciliação”. Este ato, estabelecido em variância de nomenclatura, tem por objetivo a ideia de que, movidos pela conscientização ou impelidos pelo Espírito Santo, mediante aparente emoção, em última análise, servirá como sendo “a resposta adequada para quase qualquer preocupação religiosa” (Downing, 2015). Apesar de muitas controvérsias, nessa obra o autor observa que por muitas vezes há um retorno ao “altar” em busca de um renovado senso de sentimento religioso. Entende que a consequente paz,  é confundida com alegria espiritual. O amor-próprio conduz a uma gratidão espúria e o faz elogiar isso; fazendo com que o coração ame as circunstâncias, os meios e os companheiros de sua deliciosa intoxicação (Downing, 2015). Nesse contexto, os sermões assumem grande responsabilidade. “[…] podemos escrevê-los de modo que sejam mais persuasivos”, afirma Olyott (2005).

A história

Havia ainda os pregadores itinerantes, sendo este  apontado como o nascimento de duas práticas: O  altar dos lamentadores (banco) e a prática dos exortadores. Quanto à primeira, o pregador atuava mais a lateral ao lado oposto do referido banco. As pessoas ao ouvirem os sermões se comoviam e ao final eram orientadas pelo pregador ou sua equipe. Na prática dos exortadores, estes observavam as pessoas e no final iam até estas que percebiam estarem mais tocadas e apelavam de forma contundente, emotiva para que o indivíduo desloque até ao banco das emoções. Começa-se então a lidar com a inovação teológica, nesse segmento. Tais inovações são apresentadas por meio do Deísmo, Universalismo, Unitarismo,  Pietismo e do Reducionismo.

Ao longo dos séculos algumas práticas das igrejas foram misturadas e paulatinamente, seus dogmas e costumes geraram também a prática do apelo. Dois grandes momentos foram registrados nesse fenômeno: o reavivamento wesleyano nos Estados Unidos da América, e o segundo grande despertamento do XVIII e início do século XIX na Inglaterra. Neste período havia grandes concentrações de pessoas em acampamentos, em média uma vez por ano, até a prática de se congregar em uma igreja local. As pessoas iam a esses grandes encontros. 

O deísmo em suma, refere-se a fé extremamente racionalista que defende a bondade inata do homem, ele nasce bom. O Universalismo, por sua vez, o povo é mero assistente e apenas o “sacerdote” fala, revela as coisas de Deus – catolicismo.  No Pietismo ou Subjetivismo, está o sentimento mais egocêntrico, individual do eu, onde importa o indivíduo pessoalmente ser tocado. Por fim, o Reducionismo é a corrente de pensamento que dá importância cada vez menor aos credos, aos pensamentos teológicos, cuja finalidade é explicar as partes constituintes de algo, incluindo a fé, de forma mais simples.  Tais correntes, influenciam as inovações nos sermões e nas pregações, quanto a forma de ver a palavra de Deus. Assim, se abre o espaço para o apelo aos moldes de Charles Finney, considerado o pai do apelo evangélico. 

Charles Finney (1792 – 1875)

A teologia de Finney demonstra uma visão e portanto, apresenta ênfase na depravação humana, não defende nem o arminianismo, nem o calvinismo, mas, o pelagianismo outrora combatido por Agostinho no século V. Finney afirma que a depravação humana não é por natureza, mas é por escolha. Para Horton (2011), a pergunta de Finney para qualquer ensinamento era: “é útil para converter pecadores”?. Segundo o autor, esta era uma pergunta revivalista e que teve como resultante “a divisão dos presbiterianos da Filadélfia e Nova York nas facções Arminiana e Calvinista”. Daí por diante, Finney passa a adotar “Novas Medidas” que incluíam o “banco do aflito” sendo este o “(precursor da Chamada do Altar, de hoje)”, táticas emocionais que levam ao desmaio e ao choro, e outros “estímulos” como os chamava Finney e seus seguidores.” ( Horton, 2011). Encontra-se em Horton (2011) a primeira definição de apelo. Segundo o autor, o que chamamos de apelo é “a chamada ao altar”. O dicionário português define a palavra apelo referente ao verbo apelar, e significa: o próprio ato de apelar, pedido de auxílio, de providência. Dirigir um apelo a autoridade, está ligado ao direito, invocação, recurso, apelação. 

Segundo o manuscrito original de “As memórias de Charles Grandison Finney”, este começou a pregar em um edifício da escola Evans Mills, interior do Estados Unidos, onde um grande número de pessoas corriam para ouví-lo. Elas gostavam de suas pregações e assim, naqueles dias, vivia um tempo de avivamento. Insatisfeito por estar a aguardar uma comoção geral de seu público, “depois de pregar dois ou três  domingos e de realizar vários cultos vespertinos durante a semana”, relata: “eu estava ali com o objetivo de levá-los à salvação em Cristo. Para o pregador, o simples fato de estarem gostando de sua pregação não era o suficiente, esse relato foi percebido da seguinte forma: “De nada valeria gostar de minhas pregações se continuassem rejeitando o Senhor” (Finney, 1876).

Apelo e a Relação com a Salvação

Para Erickson (2015), a salvação está ligada à aplicação da obra de Cristo aos seres humanos. A doutrina está relacionada com as necessidades mais básicas da vida humana e tem apelo e relevância especial. Ainda segundo o autor, a palavra salvação pode parecer óbvia para quem está familiarizado, mas por menor que seja o círculo que ela é destacada existirá “concepções muito diferente sobre o que a salvação abrange”, ou seja, perpassa por divergências na área da dimensão do tempo, onde é possível compreendê-la em suas variadas formas como único processo,sendo do início da vida ao decorrer de “toda a vida cristã ou um evento futuro”. 

Outro ponto verificado em Erickson, é a natureza e locus da necessidade, onde em uma concepção evangélica tradicional a deficiência humana básica é considerada vertical: uma separação de Deus. O pecado é uma violação que separa o homem de Deus por resultar em inimizade com Ele e, assim, é necessária a “restauração do relacionamento rompido” entre Deus e a criatura”. Essa concepção evangélica, revela o autor, se caracteriza por expressões como conversão, perdão, reconciliação e adoção.  

No entendimento de Grudem (2017, p. 593) a confiança pessoal em Cristo, significa não apenas acreditar nos fatos a respeito dele. A palavra confiança, é melhor compreendida na contemporaneidade do que os termos outrora pronunciados como a palavra Fé ou Crer. Explica que, pode-se crer que algo é verdade mesmo sem se comprometer pessoalmente e, assim, não haja dependência alguma envolvida. A palavra fé nos dias atuais “às vezes é usada para se referir a um comprometimento quase irracional com alguma coisa, mesmo quando há forte evidência do  contraditório”. Exemplifica que “se um time de futebol continua a perder os jogos, alguém pode encorajá-lo a ter “fé” mesmo que todos os fatos indiquem a direção oposta”. Nestes dois sentidos populares, as palavras “Crer” e “Fé” tem um significado contrário ao sentido bíblico. A palavra confiança é a que representa adequadamente a ideia bíblica, uma vez que todos os dias nos relacionamos com pessoas que confiam. Este é o sentido mais pleno de confiança pessoal,  a conversão nasce a partir da confiança da pessoa em Jesus e isso pode significar relacionamento, afirma o teólogo. Verifica-se como resultante, para que do pecador, “incrédulo”, vá à frente no mínimo houve confiança naquilo que foi exposto para que levasse a tal exposição e entrar no processo de conversão, perdão, reconciliação e adoção. 

Há na bíblia referências relevantes que se aplicam a prática do apelo. Estes orientam como deve se aplicar e  chamar o pecador para salvação em Cristo, o modelo bíblico difere das práticas hoje aplicadas (Bennett, 2000). No sentido de chamar o pecador à salvação, Grudem (2017), afirma que […] “Ao se desejar obter uma fé salvífica mero, conhecimento não basta. Para uma pessoa ser salva, envolve mais do que simples conhecimento, pois, conhecer a morte e ressurreição de Jesus não é o bastante, afinal, alega Grudem, as pessoas podem conhecer algo e ainda assim rebelar-se contra ele ou não gostar dos argumentos. Mas apesar de conhecer a aprovação também não será suficiente,  pois, Nicodemos é o exemplo de referência a este posicionamento. Todo aquele discurso de Nicodemos em João 3:2, deixou claro que embora, bem próximo da fé salvífica, lhe faltava uma coisa, afirma Grudem: “faltou a Nicodemos depositar sua confiança em Jesus para receber a salvação”. Nesse sentido, o ato da aceitação ao apelo ainda é insuficiente para que a pessoa se considere salva, pois, até esse momento, a pessoa ainda é um observador interessado nos fatos da salvação e nos ensinos da bíblia.  A fim de que seja salvo; será necessário ao ouvinte manifesto, entrar num novo patamar  de comunhão com Jesus Cristo, como uma pessoa viva, deixando a posição de observador para dependente, ato que envolve confiança pessoal.  Os convites do evangelho devem ser dirigidos a todos, e que a garantia para crer está nos mandados e nas promessas das Escrituras. 

A Bíblia e a Prática do Apelo 

Em Mc 1:14-15, o ministério de Jesus começa com o apelo. Há uma urgência ao dizer que o tempo está se cumprindo, e observando o texto, o que Jesus está  exigindo é arrependimento e fé e não que as pessoas venham à frente. Para Bennett (2000), é possível ir até Jesus fisicamente, andar com ele, falar e não ter ido a ele de fato. A atitude exterior nem sempre reflete a realidade do coração. Para este autor, quando Jesus está dizendo vinde a mim, não se trata de uma atitude exterior. Portanto, é diferente, não se identifica com os apelos sistematizados atualmente. Outro texto é a parábola do semeador Lc 8.11-18. Outro texto muito citado que traz um aparente embasamento para o apelo, é o sermão de Pedro em Atos 2. Evidentemente ali existe um chamado efetivo ao arrependimento e a urgência de se aceitar a palavra de Deus em Jesus. Tal característica do sermão é semelhante ao que Jesus demonstrava, porém, a novidade em Pedro está na referência do batismo como sinal e selo de uma caminhada inicial e exterior de confissão. 

Já no modelo de Finney, a percepção do pregador diante de uma atitude contrária à que se esperava, ou seja, que para efeito da conversão o  arrependimento e a fé terão que está juntos, a pessoa em um único ato dá as costas para o pecado em arrependimento, que difere do remorso, e volta-se para Cristo em fé no começo da vida cristã. O ato de fé seria o confessar dos lábios de Romanos 10:9; professar publicamente e saber as reais intenções,  isso é que demonstra uma indubitável fé (Grudem, 2015). 

“Vocês reconhecem que o que prego é o evangelho. Professam publicamente que crêem nisso. Agora, querem recebê-lo? Pretendem recebê-lo? Ou pretendem rejeitá-lo? Forçosamente, vocês já têm opinião formada a respeito do assunto. […] “Agora, preciso conhecer as vossas reais intenções. Quero que aqueles que resolveram tornarem-se cristãos, assumindo o compromisso de firmar imediatamente a paz com Deus, se levantem; e que, ao contrário, aqueles que estão decididos a não se tornarem cristãos e desejam que eu saiba disso e que Cristo assim entenda, fiquem como estão”.  Revelei-lhes, ainda, que sentia haver algo de errado – ou em mim ou neles; que o interesse que manifestaram por minha pregação não lhes seria de proveito algum; que eu não podia dedicar meu tempo a eles a não ser que se dispusessem a receber o evangelho. Em seguida repeti as palavras do servo de Abraão: “ Agora, se quiserem mostrar fidelidade e bondade a meu senhor, digam-me; e, se não quiserem, digam-me também, para que eu decida o que fazer” (Gn 24:49). […] Disse-lhes. (Finney,1876). 

Segundo Downing (2015), o sistema de apelos têm a tendência de promover uma “crença-fácil”. Há uma grande diferença entre a conversão bíblica e o “decisionismo”  religioso. A conversão à luz da Bíblia significa o início de uma vida transformada. É a manifestação imediata e inevitável da graça regeneradora.   A conversão para Finney é o resultado direto da persuasão moral pelo uso apropriado de meios. (Erroll Hulse). A pregação evangelística era uma batalha de vontades entre ele mesmo (Finney) e os seus ouvintes, na qual a sua tarefa era levá-los ao ponto de ruptura (J.L. Packer).

Finney “estava convencido de que os pastores poderiam produzir avivamento usando os métodos corretos e que, chamar pecadores arrependidos à frente era necessário para tirar os pecadores do meio da massa de ímpios para levá-los a uma renúncia pública de seus caminhos pecaminosos” (Barbosa, 2012). As pessoas ficavam ansiosas com as pregações e se deslocavam à frente sentando no banco que estava destinado a elas; a partir de então, recebiam uma oração individual e uma palavra especial. Disse Finney em relação ao apelo destacado acima: […] “Eles ficaram furiosos comigo. Levantaram-se todos e começaram a andar em direção à porta. Quando estavam no meio do caminho, fiz uma pausa. Eles voltaram-se a fim de ver por que razão eu havia interrompido a fala. Então continuei: tenho pena de vocês e digo-vos que só pregarei aqui mais uma vez, se Deus quiser, amanhã à noite”. Todos retiraram-se, menos o irmão John McComber, diácono da igreja batista. (Finney, 1876).

 Oposição a Finney

Considerado um dos líderes do Segundo Grande Despertar, seu tempo de atuação antecede ao de Lloyd Jones, século XIX. Como já mencionamos, para Finney, o apelo é visto como “uma ferramenta muito persuasiva para mudar a vontade humana”. Porém, há aqueles que discordam deste posicionamento como o próprio Lloyd Jones, Asahel Nettleton,contemporâneos de Finney. Estes rejeitam essa credibilidade que Finney dava ao apelo e, consequentemente, não acreditavam na “capacidade humana e sua dependência no sistema de apelo”. No entendimento desses autores últimos, alinhados ao historiador Iain Murray, desde o nascimento a natureza da pessoa já é pecaminosa e, diante desta natureza, ela é incapaz de confiar, por si só em Cristo, “até que Deus mude o coração”. 

Poderia um homem ver a si mesmo como um pecador condenado ao inferno, sem sentir qualquer emoção? Poderia um homem olhar para o interior do inferno sem qualquer emoção? Poderia um homem ouvir as trovoadas da Lei e nada sentir? Ou, vice-versa, poderia um homem contemplar deveras o amor de Deus, em Cristo Jesus, sem sentir qualquer emoção? Toda essa ideia é totalmente ridícula. Lastimo que muitas pessoas hoje em dia, na sua reação contra os excessos e o emocionalismo, chegam a uma posição tal que, em última análise, estão virtualmente negando a Verdade. O Evangelho de Jesus Cristo envolve o homem inteiro, e se o que passa pelo Evangelho não faz tal, então isto não é o Evangelho.  (Jones, 1998)

Para o historiador Iain Murray, muitos oponentes ao apelo alegavam que o chamado para uma resposta pública confundia um ato externo com uma mudança espiritual interna. Além disso, diz Murray, o apelo efetivamente “instituiu uma condição de salvação que nunca apontava para Cristo”. Os críticos argumentam que o evangelismo realizado dessa forma resultou em uma falsa segurança, já que uma grande parcela daqueles que iam à frente para “receber a Cristo” logo se apostataram.

O hipercalvinismo afirma que não se pode exigir que os pecadores façam o que eles não podem fazer, a saber, crer em Cristo para salvação. A capacidade de crer pertence unicamente aos eleitos, e isso no tempo determinado pelo Espírito de Deus. Por isso, o pregador chamar os seus ouvintes ao imediato arrependimento e fé, é negar tanto a depravação humana, como a soberania da graça (Marray, 2008).   Nettleton, apresenta esta forma de ver a salvação, em sua participação na Conferência New Lebanon, em 1827, quando se opôs aos ensinamentos de Charles Finney e Lyman Beecher, por acreditar que “a salvação é uma obra de Deus somente”, portanto, rejeitava a prática de chamarem as pessoas durante os cultos para aceitarem a Jesus (Giorgiv, apud Nettleton 2005). Acreditava que essa prática era uma negação das doutrinas do pecado original e da depravação total. Ressalta que a história forneceu evidências mais tarde de que a acusação de Nettleton de que a nova abordagem militaria contra a convicção do pecado, estava correta. Foi quando então, que o evangelicalismo passou a aceitar cada vez mais o sistema de apelo, que o fenômeno da convicção do pecado, gradualmente foi desaparecendo”. 

Considerações 

Apesar de posicionamentos contrários a prática do apelo, existe ainda a alegação dos pastores e líderes que,  apesar do apelo ser em suas igrejas uma prática recorrente, não é obrigatório fazer o apelo nos cultos e muito menos terá que ser no final, pois, trata-se de um mover ou ação do Espírito Santo, portanto livre de tempo, mas, sempre sob o direcionamento espiritual. A questão levantada, trata-se de uma reflexão que se norteia na prática do ato e sua legalidade bíblica.  Há um consenso, portanto, não unânime, de não identificá-lo como anti bíblico e este posicionamento foi maior verificado entre os reformadores, porém, é possível perceber que na prática, se trata de um rito comum e cultural nas igrejas evangélicas ou melhor, em grande parte delas. Autores como M. L. Jones, afirmaram que esta prática se perpetua por ser viável a identificação imediata dos resultados para o trabalho de salvação. Não só para angariar membros para aquela comunidade de fé, mas, pelo fato de possibilitar ao interessado – visitante e afins, o início imediato do cuidado e direcionamento da caminhada em Cristo.

Respaldado sobre o pensamento de autores consistentes como Charles Finney, D. M. LLoyd Jones e William R. Downing, conclui-se que não são poucos os críticos ao considerado “pai do apelo evangelístico”. Também,  são vastos os motivos percebidos nos relatos dos autores em relação aos problemas nocivos com o advento da prática apelativa. Downing (2015), disse:  “este sistema não é neutro e, deste modo opcional; é claramente anti bíblico, e, portanto prejudicial. Possui caráter psicológico e pragmático, coloca os homens e os lugares em posições que são contrárias a de Deus”. Para M. L. Jones (1998), até certo tempo na história , “a pregação abordava os grandes temas das Escrituras, mas, quando a crença nas grandes doutrinas da Bíblia começou a fenecer, quando os sermões passaram a ser substituídos por perorações Éticas e homilias, pelo apoio moral e pelos discursos sócio-políticos, não foi de surpreender que passou a declinar a pregação. Sugiro ser essa a causa primária e maior desse declínio”, afirma o autor. Em  Horton (2011), encontramos que por causa dos primeiros princípios teológicos de Finney, ele tornou-se o pai dos pressupostos de alguns dos maiores desafios  no meio das igrejas evangélicas, nominalmente: o movimento de Crescimento de Igrejas, o Pentecostalismo e o reavivamento político. Porém, quanto à conversão, esclarece Downing (2015): “quando alguns ficam duvidosos, eles são questionados se não foram sinceros quando fizeram a sua decisão”,  afirma o autor:” Claro que foram. Estes são exortados a não duvidarem nunca, se assim procederem, são informados com toda autoridade, simplesmente apontem para o templo, o lugar e a oração, e chamem o Diabo de mentiroso!”.  Para estes, “duvidar ou chegar à conclusão de que eles não foram salvos quando fizeram a sua decisão religiosa seria desacreditar todo o Sistema de Apelo”, afirma Downing, (2015). 

Wellerson David Baptista – bloggabineteteologico.com ; @welllivros

Contatos: gabinete@bloggabinteteologico.com

BIBLIOGRAFIA

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