Teologia Sistemática: conhecendo a história

A teologia não é o estudo de Deus, mas, acerca de Deus, e nela está centrada a pessoa de Cristo e, Dele não se tira o foco. De igual modo é a teologia sistemática para com a Bíblia Sagrada, dela não se tira o foco. Para os cristãos não deve haver, a priori, várias teologias. Desse modo, qualquer teologia cristã que assim se denomina, deve ser inevitavelmente em todo o seu arcabouço, por essência bíblica.

Logo, é necessário estabelecer como primícia que a Teologia Sistemática não é um fenômeno. Diferentemente de movimentos teológicos, como a recém surgida teologia do feminismo, teologia da prosperidade, teologia da moral e outras, a Sistemática é a própria teologia bíblica tradicional como se conhece. A teologia sistemática não significa uma teologia à parte, mas sim, uma explanação ampla de um assunto relevante, mediante manifestada necessidade de melhor compreensão de um determinado assunto na Bíblia. É exatamente nesse momento que nasce, não um fenômeno, mas, a sistematização da por causa de.

Que discordem! Conforme o exposto, seria supostamente esse o entendimento de Grudem, que de semelhante modo afirma que a teologia sistemática faz uso do material da teologia bíblica e frequentemente constrói sobre seus resultados. Sobre esse entendimento ela se torna dialética à medida que a palavra de Deus está para o mundo.
A bíblia é exatamente esta que apresenta questões em relação ao céu expressadas na vida terrena. A dialética da sistemática nasce da necessidade bíblica, como anteriormente mencionado, em buscar dentro do texto, de forma exaustiva, a clareza e a verdade, sem desprezar os contextos sociais, históricos, filosóficos no texto sagrado que se coadunam. Acontece que existem conceitos que não foram utilizados por nenhum dos escritores na bíblia, geralmente resultantes da combinação dos ensinos de dois ou mais autores bíblicos, como é o caso da palavra trindade, a pessoa de Cristo e a presença do Espírito Santo no velho testamento, são assuntos caros à teologia e que com tranquilidade devem ser elucidados. Se tentar explicar essas questões, terá então que organiza-los e esmiúça-los. Papel que a Teologia Sistemática faz muito bem.

Teologia Sistemática um olhar diferente.

O centro metodológico da sistemática, analisa a evolução de cada doutrina de forma correlacionada com o contexto histórico das escrituras. Em seguida situa-se na compilação das informações para realizar a sintetização do ensino encontrado em todas as passagens bíblicas, sempre focado no assunto especificado. Pela natureza do próprio nome, esta sistematização revela a clareza dos textos com objetividade organizada cuidadosamente por tópicos.

A História

Tudo tem uma história e, na maioria das vezes, nasce de uma necessidade. A bíblia não se ocupa de apresentar seus livros necessariamente numa ordem cronológica racional, muito menos os seus diversos temas. Visando um sistema bem ordenado de forma que seja coerente e simples sobre a religião cristã e seus temas diversos. Pode-se começar a nortear os primeiros ensaios de sistematização na ortodoxia oriental com a exposição da Fé Ortodoxa de João de Damasco ( 675 – 749). É nesse período do século VIII que na Teologia oriental nasce as primeiras tentativas de organizar com coerência os textos clássicos.

Pode-se começar a nortear os primeiros ensaios de sistematização na ortodoxia oriental com a exposição da Fé Ortodoxa de João de Damasco ( 675 – 749). É nesse período do século VIII que na Teologia oriental nasce as primeiras tentativas de organizar com coerência os textos clássicos.

Avançando para o século XII, Pedro de Lombardo (aproximadamente 1100 – 1160) traz uma importante contribuição em seu livro de teologia denominado “Os quatro livros de sentença ou as sentenças”. Discorria em declarações abalizadas sobre passagens bíblicas reunidas em uma série de citações dos Pais da Igreja, tal apanhado tornou-se base, no ocidente, para que fosse desenvolvida uma tradição de comentário temático e explanação da escolástica medieval. Para se ter ideia da importância desses escritos dos livros das sentenças, sua reverberação contribui para o nascimento da Suma Teológica de Tomás de Aquino. Lombardo realizou essa compilação sistemática de teologia, por volta do ano de 1150 d.c.

Para efeito histórico, é importante descrever que desde os primeiros registros de compilação existem questões bíblicas que quase de forma permanente se mantém no foco estrutural da sistemática Cristã protestante, como, Deus, Unidade e Trindade, em sua Essência e em suas Pessoas, sua presença no mundo e pelo dom da graça; notados na obra Sentenças.

1. Deus criador e a obra da criação;

2. A Encarnação do Verbo, sua obra redentora e santificadora pela graça, as virtudes e os dons do Espírito;

3. Os sacramentos e os fins últimos.

A tradição

Denota-se que a teologia sistemática tem na idade média clássica a sua origem com João Damasco, ela amadurece com Pedro Lombardo e seu texto chave para a realização da obra de Tomás de Aquino. Porém, a exposição temática e organizada de toda a teologia Cristã protestante é consolidada no século XVI. Autores como Filipe Melanchton – colaborador de Lutero e redator da Confissão de Augsburgo (1530) e João Calvino – As Institutas da Religião Cristã, são os precursores da tradição protestante de exposição temática e ordenada, de toda a teologia cristã.

No século XIX no meio protestante surge um novo modelo de teologia sistemática. Esse modelo despertou uma tentativa de demonstrar que a doutrina cristã formava um sistema coerente baseado em proposições que discutiam a teologia sistemática com um certo aspecto de cientificismo. Buscavam construir reinterpretar a fé tradicional com a finalidade de torná-la coerente (racional). Nesse sentido, na década de 1820, a ideia central da fé cristã para alguns pregadores que defendiam este axioma, como Friedrich Schleiermacher, se tratava da presença universal em meio a humanidade de um sentimento ou consciência de uma dependência absoluta, onde os temas teológicos seriam reinterpretados como descrições ou expressões de modificações dos sentimentos. Estes sentimentos, segundo os apoiadores desse movimento, acontecem algumas vezes mais ocultos, outros menos explícitos. O que podemos chamar de racionalismo.

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