Existindo

 
“Penso, logo existo” é a célebre frase de Descartes. Em seu livro “discurso do método”, o filósofo o estabelece esta ideia como o primeiro princípio da filosofia que procurava.
Mas será que você é como eu? Já parou para pensar no existir? O que é o existir?
Segundo o dicionário, é ter existência real, ter presença viva; viver, ser. Nossa, como eu gostei! É ter existência em determinado período de tempo e, ainda significa, durar, permanecer. Nitidamente, precisamos acrescentar que segundo o conceito cartesiano, existir é pensar
 
Para dizer a verdade, há um motivo pelo qual escrevo agora sobre o existir, acredite, não estou procurando notoriedade que não seja de mim mesmo enquanto ser existente. Aqui sou eu tentando ser eu mesmo, algo que não sou muito bom, diga-se de passagem! Pois, sem vitimismo, no meu caso, descobri que sempre fui egoísta e arrogante, fazendo de tudo e mais um pouco para agradar a todos que estão ao redor, na intenção de “ficar bem na fita”. Por muitas vezes abrindo mão de posições e coisas das quais não deveria. Aqui está a arrogância e o egoísmo, sempre pensando em mim, no meu bem estar, em ser querido por todos. Eita! Às vezes ser a gente mesmo não é uma boa ideia, para quem não está disposto a pagar o preço de contrariar a família, “amigos”, abrir mão de algumas práticas como por exemplo, evitar gerar um atrito para que o ambiente fique em paz, quando seria necessária a indisposição para que de fato as coisas ficassem como deveriam ficar.
 
Nesse caso, a cultura ocidental pode ter nos estragado, um pouco, de pais para filhos, que crescem cheios de não-me-toque querendo ter sempre o ego massageado, suas vontades sempre atendidas. Para Mark Manson, que aderiu à “sutil arte de ligar F*da-se”, morar na Rússia nos causaria grande choque cultural, dentre outros costumes, está o fato de que são extremamente sinceros, segundo nossa visão ocidental, onde os lisonjeiros chegam facilmente à hipocrisia. Na Rússia, ser direto, falar a verdade doa a quem doer, ser pragmático é normal, a afronta lá seria mentir, enganar, deixar de falar o que pensa. O existir é ser, ser você mesmo. Do contrário, sua estadia como indivíduo será sempre habitada por um estranho que entra na sua mente e a manipula como marionete, deste modo a vida anda em círculos.
 
Ah sim, o preço, falávamos sobre o preço de ser sincero. Se por um lado perde-se amigos, a simpatia de parentes, popularidade, por outro, se ganha autenticidade, identidade, liberdade e existência. A mudança é nesse sentido, é o caminho que o levará ao reconhecimento e respeito dos que estão à volta.
 
Não se importar com o que os outros pensam é o caminho para uma vida real. Portanto, para que tal evolução aconteça, é necessário ser adulto e deixar as coisas de menino. Assumir um papel diante do que te inspira que é só seu, mordomo de uma história escrita para você na terra. Esconder por vergonha do que as pessoas vão pensar, deixar de contribuir com o próximo naquilo em que você é bom, é covardia. Dizem que a maior felicidade está em servir ao outro. Não pode se furtar de contribuir-se fazendo algo que o eternizará.
 
Quantas pessoas já morreram fisicamente e ainda continuam nos ensinando, nos inspirando? – Martin Luther King Jr., Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, Jesus Cristo, não exatamente nessa ordem, mas, são algumas das pessoas que habitaram nessa terra e se tivessem acovardado diante das pressões, importando com o que os outros pensam, olhando para as condições sociais em que nasceram, os negros na América do Norte ainda sentariam no fundo dos ônibus cedendo os melhores lugares aos brancos, a Índia ainda estaria na mão dos Britânicos, a África do Sul ainda seria sustentada pelo regime de “apartheid” e, no ocidente as mulheres seriam ainda um subproduto, com o único direito de permanecerem caladas. Seria horrível.
 
É preciso existir na existência, afinal, há um lugar que é só meu, há um tempo e uma história a ser escrita que é para mim e reciprocamente para você – para qualquer pessoa. Assim como tenho buscado galgar a cada dia o existir, nutrir-me e contribuir, para ser o eu que nasci para ser, único, com autenticidade – fugindo da soberba e indiferença. Escreva sua história subjugando a morte, por meio de suas boas e influentes realizações.
 
CONSIDERAÇÕES:
 
Permita-me: quando se decide ser, existir, o fato de não se permitir ser diferente é uma tentação movida pelo comodismo, às vezes pela covardia ou pequinês. O desejo de “ficar bem na fita, tirar proveito do outro, mentir para não se prejudicar, embriagar-se em detrimento da sobriedade, dizer a verdade e não superar o medo e a preocupação com a rejeição do outro, trair, todas essas coisas são tentações que o corpo acomodado insiste a permanecer como está, eu nasci assim vou ser sempre assim, mas aquele que a praticava, às vezes até a velhice, e muda a forma do pensar, de fato acordou para a verdadeira existência. É uma tentação atrás da outra. É como um vício qualquer quando se resolve abandoná-lo, todo dia ele bate à sua porta.
 
Há uma tentação que explicita uma vontade louca de permanecer no jeito talvez inadequado de ver a vida e nesse sentido, compreende-se aquilo que o prejudicará, atitudes às vezes nocivas, aparentemente pequenas coisas como ter vontade de escrever suas ideias ao mundo, dar voz a inovação e por medo do que vão dizer, não realiza. É deixar de gravar um vídeo no Youtube por ter vergonha ou complexos de inferioridade. Perceba que falo de tentações de forma inversa às habituais, geralmente falamos dela como agente do caos; no caso que lhe apresento, a pessoa já está no caos e precisa se livrar; este ato levará a uma luta diária para não ser como era, a não voltar as velhas posturas e conquistar o seu verdadeiro lugar enquanto há vida.
 
E então me perguntaria: Como resistir a tentação e vencer as travas que me impedem de verdadeiramente existir? – Não sei. Pode-se fazer tantas coisas que ajudaria, terapia é uma delas, mas, uma coisa sei: não resistir às tentações, não é uma opção.

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